ESTRESSE - O QUE É E COMO EVITÁ-LO

 

O equivalente em nossa língua para a palavra stress é tensão. Estresse é um estado de tensão, e segundo Hans Selye ( 1907-1982), é “ uma resposta não específica do corpo a qualquer demanda, seja causada por, ou resultando, condições favoráveis ou desfavoráveis”[1]. Um divórcio pode causar estresse, assim como os preparativos de um casamento, por que?

Todo estímulo, seja eu positivo ou negativo, quando muito intenso causa tensão, agora quando este estímulo ocasiona uma tensão maior do que a capacidade de enfrentamento do indivíduo, ele torna-se patológico, ou seja, estresse. Vou dar um exemplo partindo do princípio que tensão é um termo usado em várias outras ciências, vou usar a engenharia: quando um caminhão muito pesado passa sobre uma ponte, e este supera a capacidade da ponte, o caminhão é o estressor da ponte, e vai provocar nela uma tensão maior do que ela pode suportar. Assim, uma meta no trabalho pode ser um estímulo positivo para um,  se ele pode suportar o “peso desse trabalho” , e para outro pode ser estressante ( caso ele não consiga suportar o “peso desse trabalho”).

Cada estímulo provoca uma reação que envolve todo organismo: componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais. Seja de natureza física ou psicossocial (positivo ou negativo) se o equilíbrio do organismo for rompido  ele cobra uma adaptação. Como assim?

O ser humano necessita do equilíbrio. Piaget chamou de equilibração, e Fenichel fala em homeostase. Fato é que o “estar no mundo” do indivíduo depende de dois processos, o de assimilação e o de acomodação. Primeiro ele assimila o estímulo, e depois ele, acomoda. Estes dois processos podem inclusive ocorrerem ao mesmo tempo, mas o que interessa é a forma como o indivíduo processa os estímulos externos e internaliza as ocorrências e ações do cotidiano. Estímulos recorrentes como acordar cedo para trabalhar tem que ser assimilado e acomodado se isso não ocorre, o estresse acontece. Como ele ocorre?

O estresse se divide em três fases: alerta, resistência e exaustão. A primeira fase é positiva, o indivíduo se posiciona para agir e enfrenta a situação de forma a fazer seu organismo voltar ao equilíbrio. A segunda fase ocorre quando a situação é parte do cotidiano do indivíduo. Por exemplo, o indivíduo detesta acordar cedo, mas necessita devido ao seu trabalho, ou ele todos os dias tem que lidar com o mau humor do chefe. O ser humano se acostuma com as mais diversas situações, mas há um limite. Um dia isso o fará passar para a próxima fase. A exaustão é a fase em que a doença se instala, a resistência física e emocional da fase anterior já se exauriu, o sistema imunológico enfraquecido, já deixa transparecer ansiedade, depressão, um aceleramento no envelhecimento e pode de acordo com a genética do indivíduo apresentar pressão alta, diabetes e outros problemas. Mas por que isso ocorre com tanta frequência nos dias de hoje?

Ocorre que o ser humano desmassificou o tempo e colocou o espaço em uma caixinha chamado de celular, tablete, computador. O que quero dizer é que, hoje, o ser humano pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Cada um desses lugares exige dele uma postura específica, além de provocar emoções diferentes. Por vezes o ser humano tem que lidar com vários estressores ao mesmo tempo, o que não ocorria antes das novas tecnologias. Qual a solução?

Vários sites apresentam textos que mostram os sintomas, e descrevem profilaxias como exercícios físicos, se alimentar corretamente, fazer sexo, dormir bem. Mas quando se está em estado de exaustão ou próximo dele torna-se difícil todas estas atividades. Para este nível recomendo além de terapia, e buscar ajuda de um médico, pois talvez seja necessário um remédio para ajudar o indivíduo sair desse estado de tensão. A terapia ira ajuda-lo em seu psicológico, minimizando o tempo de uso de medicamento.

Para quem está no estado de resistência, pincipalmente as pessoas ansiosas, o que interessa é que perceba sua capacidade de enfrentamento, saber quando dá conta ou não de determinada ação. Nestes casos só a terapia será suficiente. Os fatores psicológicos mais importantes que se deve cultivar, são senso de controle e de confiança, principalmente em fatores que envolvem concorrentes, lembrando que está concorrência nem sempre é externa.

Por fim, considero de vital importância o autoconhecimento.  Quando um indivíduo tem total conhecimento de suas potencialidades, de seu “ lado” bom e ruim, todo o resto simplesmente acontece, como boa autoestima e confiança em si ( aliás é impossível confiar em quem não se conhece). É possível viver em paz em um mundo estressante, a não contaminação está no autoconhecimento, e em ter objetivos reais e bem definidos que representam paz e equilíbrio em todos os âmbitos da vida.

 

Isabel Galdino - Psicanalista e Cientista Social

 

Citação:

[1]SELYE, Hans Hugo B. (1959). Stress, a tensão da vida. São Paulo: Ibrasa - Instituição Brasileira de Difusão Cultural.